Os perigos dos produtos químicos 'eternos' que temos em casa

Você pode nunca ter visto a sigla PFAS (per- and polyfluoroalkyl substances, ou em português, substâncias per e polifluoroalquil). Contudo, é bem provável que tenha contato frequente com produtos desse segmento. O pior é que eles podem estar em sua casa e representam perigos para a sua saúde.

Os PFAS são, na verdade, uma classe que abrange mais de 4 mil produtos químicos diferentes. Eles estão presentes por todo lugar: de utensílios usados em sua cozinha até embalagens de comidas industrializadas. Aliás, essas substâncias já foram encontradas até mesmo em nosso sangue.

Mas quais são os riscos para o ser humano?

(Fonte: Kindel Media/ Pexels/ Reprodução)(Fonte: Kindel Media/ Pexels/Reprodução)

Como somos expostos aos produtos químicos PFAS?

Desde a década de 1940, produtos PFAS têm sido comercializados livremente. Eles constituem o resultado de uma das ligações mais fortes da química orgânica: a união do carbono com o flúor. Por essa razão, são usados em vários itens do nosso dia a dia para deixá-los mais resistentes a manchas, calor e umidade. Aliás, o apelido de “produto químico eterno” se deve ao fato de terem uma vida longa.

Uma preocupação crescente em vários países é com a água e com as pessoas que residem perto de instalações que lidam com os PFAS, a exemplo de fábricas e unidades de tratamento de resíduos, devido à possibilidade de as substâncias químicas desses produtos poderem chegar ao ser humano por meio da água contaminada.

No entanto, beber água não é a principal via de exposição aos PFAS. 

  • Teflon e diversas outras marcas que fabricam itens antiaderentes para cozinha usam os PFAS. Aqui, ainda existe outro problema: alguns países proibiram produtos químicos da classe usados décadas atrás devido aos riscos. Mas, como a lista é muito grande (mais de 4 mil), os fabricantes de utensílios domésticos, por exemplo, podem usar novos tipos de PFAS cujos riscos ainda são pouco conhecidos.
  • Eles também são muito usados no revestimento de produtos de panificação e embalagens de papel/papelão destinados ao segmento de fast food.
  • Itens de higiene pessoal, como cosméticos, podem conter essas substâncias químicas.
  • Roupas desenvolvidas para repelir água e manchas, a exemplo de jaquetas que usam a tecnologia Gore-Tex, geralmente, contêm químicos PFAS.
  • Móveis e tapetes resistentes a manchas e sujeira podem ter substâncias per e polifluoroalquil.
  • Alimentos cultivados em solo contaminado, ou transportados em embalagens com PFAS, também possibilitam a chegada dessas substâncias ao ser humano via organismos vivos, como peixes.

Diversos itens do dia a dia têm PFASDiversos itens do dia a dia têm PFAS.

Os riscos do PFAS para a saúde

A maior preocupação tende a ser com as mulheres grávidas, com as que querem engravidar e com as crianças. Estudos com animais apoiados em pesquisas com humanos indicam que a exposição a determinados PFAS pode resultar em uma série de riscos para a saúde, entre eles:

  • baixo peso em bebês recém-nascidos;
  • aumento da pressão arterial da mulher durante a gravidez;
  • interferência no desenvolvimento do feto;
  • aumento do risco de câncer;
  • danos ao sistema imunológico;
  • aumento dos níveis de colesterol.

Apesar de serem usados há décadas, estudos sobre os impactos negativos de produtos PFAS para a saúde do ser humano e para o meio ambiente se tornaram mais intensos e recorrentes apenas nos últimos anos.

(Fonte: Daniel Reche/Pexels/Reprodução)(Fonte: Daniel Reche/Pexels/Reprodução)

Falta de controle

Por enquanto, o controle ou as restrições com os PFAS ainda são muito limitados e pontuais. Para se ter uma ideia, nos EUA, algo bem definido só surgiu este ano com o estado do Maine que decidiu proibir a venda de produtos que levam PFAS a partir de 2030, a primeira disposição do tipo no mundo.

Na União Europeia existem restrições para determinados PFAS e suas formas de uso. No entanto, pesquisadores e ambientalistas pedem que haja uma regulamentação em conjunto dessas substâncias químicas. Por outro lado, as próprias fabricantes têm buscado soluções químicas que possam substituir os PFAS com segurança. No Brasil, discussões nesse sentido são muito poucas, apesar de o número de entidades e pesquisas sobre o tema estar crescendo.

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