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5 batalhas históricas que os filmes de Hollywood ensinaram (muito) errado

É comum que o cinema tome certas liberdades criativas ao retratar eventos históricos. Afinal, isso pode ser importante para dar um efeito dramático a uma cena ou tornar alguma história mais compreensível para o público. Além disso, por mais que os roteiristas pesquisem, um ou outro detalhe pode simplesmente passar despercebido. 

Porém, uma coisa é tomar liberdades criativas ou errar em detalhes. Outra bem diferente é contar a história de forma totalmente errada — algo que muitos filmes de Hollywood fizeram nas últimas décadas. 

Para muitos leigos, essas questões talvez não chamem atenção. Mas, para quem estudou os eventos históricos retratados ou foi testemunha ocular dos fatos, esses erros são mais difíceis de perdoar. A seguir, nós listamos alguns exemplos de erros graves em filmes de guerra hollywoodianos.

1. Pearl Harbor (2001)

Pearl Harbor foi um dos maiores sucessos de bilheteria de sua época — mas um dos principais fracassos entre os historiadores. Também é importante ponderar que muitos dos soldados que estiveram na batalha verdadeira ainda eram vivos em 2001 e assistiram ao filme. 

Para começar, os jipes usados no filme eram de 1950, da época da Guerra da Coréia (uma década depois do ataque ao porto de Pearl Harbor) e as armas mostradas não eram as verdadeiras. O filme também mostra os japoneses mirando em instalações médicas, mas esse nunca foi o alvo principal e só uma pessoa nesses locais morreu na batalha.

Os piores erros, porém, estão nos aeroportos: o filme mostra torpedos atingindo as pistas da base aérea, mas isso é algo que nem faria sentido numa batalha real. Além disso, os heróis do filme conseguem levantar voo numa pista de decolagem em pleno bombardeio. Ainda que os soldados de verdade tenham levantado voo para enfrentar os japoneses, eles fizeram isso em outra pista, mais distante da batalha.

2. Coração Valente (1995)

Coração Valente foi produzido, dirigido e estrelado por Mel Gibson, no papel do líder escocês William Wallace. E embora o filme tenha agradado aos críticos de cinema, ganhando Oscar de Melhor Filme e Melhor Diretor, ele não foi recebido da mesma forma pelos historiadores.

Segundo os especialistas, as roupas e pinturas corporais dos escoceses de Coração Valente são completamente diferentes das utilizadas na época. Além disso, a linha do tempo do filme não faz sentido com a realidade: a Escócia só foi invadida um ano antes da rebelião de William Wallace, e não durante sua juventude, como diz o roteiro.

Mas o principal erro está na batalha que é clímax do filme. A Batalha da Ponte Stirling só teve um resultado favorável para os escoceses por causa da ponte: os ingleses atravessavam aos poucos, facilitando o ataque. Mas não há ponte alguma na batalha do filme.

3. Outlaw King (2018)

As Guerras de Independência da Escócia também foram retratadas em outros filmes, como Outlaw King, lançado pela Netflix em 2018. Aqui, o protagonista é Roberto de Bruce, rei dos escoceses que se rebela contra o domínio inglês — pegando em armas para isso.

Em uma das principais cenas do filme, Roberto batalha contra as forças inglesas, lideradas por Eduardo II. Roberto está em desvantagem numérica, mas consegue neutralizar seus inimigos e tem a oportunidade de liquidar Eduardo II. Porém, o deixa ir, mostrando sua superioridade.

Contudo, Eduardo estava bem longe da Batalha de Loudoun Hill. O rei inglês até batalhou diretamente com os escoceses, mas muito tempo depois — e foi o próprio Eduardo que conseguiu fugir, sem depender da bondade de Roberto de Bruce. 

4. 300 (2007)

Você deve saber que o rei Xerxes provavelmente não se parecia com o Rodrigo Santoro careca. Mas não é disso que estamos falando. 

Nas batalhas de verdade, os espartanos lutavam com armaduras — e não com as roupinhas minúsculas, usadas para mostrar os músculos do rei Leônidas no filme. Além disso, todos os capacetes tinham plumas, e não só o do rei. Outro erro histórico é mostrar os persas usando rinocerontes e elefantes contra os espartanos.

Mas, a principal crítica ao filme de 2007 é afirmar que as tropas do rei Leônidas enfrentaram seus inimigos sozinhas. Na verdade, os 300 tiveram o auxílio dos atenienses, em um capítulo importante do processo de unificação das cidades-estado na Grécia Antiga

5. Napoleão (2023)

Para terminar nossa lista, um filme recente que causou polêmica ao retratar uma figura tão conhecida da história ocidental: Napoleão Bonaparte.

Para começar, há um erro enorme em uma das batalhas mais importantes do filme. Quando o rei francês tenta tomar uma das rotas comerciais mais importantes dos britânicos, no Egito, há uma batalha próxima das Pirâmides. Há até uma cena em que um canhão arranca pedaços da construção milenar. 

Contudo, isso não seria possível, já que os canhões da época não tinham poder de fogo para atirar tão alto. Além disso, por mais que a batalha tenha acontecido próxima às Pirâmides, ela não foi tão perto assim — na verdade, as tropas lutaram a cerca de 15 km dos monumentos. 

Dito isso, a principal crítica ao filme está na forma como Napoleão é retratado quase como um ditador sanguinário. Essa é uma visão bastante britânica sobre o líder, falhando em reconhecer suas qualidades e sua popularidade junto ao povo francês. Vale lembrar que o diretor do filme, Ridley Scott, é britânico.

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