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3 mitos da década de 1950 que muitos americanos ainda acreditam

A década de 1970 foi marcada por um longo período de saudosismo dos anos 1950, isso porque a década de 1960 sofreu com os conflitos de classes, distúrbios raciais, instabilidades econômicas, protestos contra guerra e uma desconfiança geral do governo.

Com escândalos como o Watergate, os americanos se viram, pela primeira vez, no epicentro de um país caótico, antes panfletado para o mundo como "sonho americano", onde tudo era perfeito e todo mundo vencia. 

Para tentar resgatar o sentimento, foram lançados filmes como Happy Days, que espalhavam uma mensagem de paz, confiança, respeito às tradições, epicentro tecnológico e de como os americanos eram mais felizes em 1950. Mas isso não passava de uma mentira.

Os anos 1950 foram turbulentos, repleto de temores sobre o futuro, com a sombra da Guerra Fria e da bomba nuclear dominando as escolas, a política e a vida em sociedade.

Esses são apenas 3 dos maiores mitos da década de 1950:

1.  EUA como poderio tecnológico

(Fonte: Michigan in Pictures/Reprodução)(Fonte: Michigan in Pictures/Reprodução)

O excepcionalismo americano combinado, principalmente, com o desempenho dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, fez com que os próprios cidadãos americanos acreditassem que o país era detentor do maior poderio tecnológico do mundo.

Quando foi dada a largada da Corrida Espacial — o apogeu da demonstração da tecnologia entre as potências conflitantes —, os EUA caíram do cavalo ao descobrirem que estavam muito atrás da inimiga União Soviética, apesar de terem sido os primeiros a projetarem uma bomba nuclear como vingança aos japoneses, em 1945. O choque foi ainda maior quando o governo americano não conseguiu ser bem-sucedido com o lançamento do seu satélite Vanguard 1, que explodiu a poucos metros da base e causou um vexame mundial.

O Sputnik-1 serviu apenas para revelar o quão pouco os americanos sabiam ou se importavam com como o mundo e as outras nações estavam se desenvolvendo ao seu redor, e como isso poderia afetar a vida diária deles.

2. A falsa prosperidade americana

(Fonte: History/Reprodução)(Fonte: History/Reprodução)

Existe a ideia latente de que os EUA eram mais prósperos durante a década de 1950, mas aconteceram duas recessões nessa época. Cerca de 23% dos americanos viviam na pobreza, enquanto o preço médio nacional da gasolina era o equivalente a US$ 2,60, ajustado pela inflação. O leite era muito mais caro naquele tempo do que nos mercados atualmente, bem como a maioria dos alimentos e eletrodomésticos, que se empilhavam nas prateleiras das lojas.

As pessoas perceberam a incompatibilidade de seus salários quando passaram a viajar mais de carro do que de trem ou avião. Além disso, os parques nacionais e praias entraram no lugar dos resorts, spas e parques de diversão, cujos preços ficaram absurdamente altos para uma família.

Muitos dizem que os anos 1950 eram os tempos do auge das pequenas empresas, quando, na verdade, o insucesso empresarial era de pouco mais de 34%. Em 1958, esse número alcançou a margem de 56%, com os agricultores sendo os que mais sofreram com a desvalorização massiva de seu trabalho e de seus produtos.

3. Uma América mais recatada

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Essa ideia ainda fazia parte do resquício da era do revivalismo religioso do século XIX, porém o século seguinte foi marcado, principalmente durante a Guerra Fria, pela exploração exacerbada do corpo da mulher e sua hipersexualização.

Não é para menos que o turismo atômico desenvolvido pelo governo de Las Vegas promoveu mulheres seminuas, vestidas apenas em biquínis com temática dos cogumelos das explosões das bombas, em campanhas publicitárias para atrair mais turistas. A "cidade do pecado" não só adquiriu esse nome pela maneira como as pessoas hipotecavam até suas casas nos diversos cassinos espalhados pelo território, mas também pelas mulheres "mais belas da América" exibidas grotescamente como frangos de padaria por toda a mídia.

A economia americana fervilhou durante a década de 1950 quando o engenheiro mecânico Louis Réard lançou a moda dos biquínis de design "pecaminoso", como o Vaticano definiu, que exibiam totalmente o corpo, colocando a beleza padrão da mulher americana no topo do mundo e sob os mais brilhantes holofotes.

Não havia nada de recato ou pureza nessa América utópica distorcida pelos conservadores. Sempre houve exploração, desde o próprio governo que patrocinava bordéis e saloons para que seus soldados "relaxassem" quando voltavam da guerra.

Essa ideia de que a década de 1950 era mais recatada ou "respeitadora" se baseia apenas no antiprogressismo e no repúdio sistemático dos movimentos feministas da atualidade.

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