Vera Gedroits: a princesa que revolucionou a medicina de guerra

07/04/2022 às 12:003 min de leitura

Você provavelmente já ouviu falar na Guerra Russo-Japonesa e na Revolução Russa, mas é improvável que tenha escutado sobre a princesa Vera Gedroits, uma descendente da realeza lituana. Seu nome se perdeu no oceano da História, bem como todo o seu esforço e talento que transformou para sempre a medicina da guerra.

Isso aconteceu, em parte, pelos mistérios que envolvem sua vida, a começar pela data e local de seu nascimento. Em muitos artigos e matérias é apontado que a mulher nasceu em 1876, na Rússia, e em outros, que esse registro é falso e que ela teria nascido realmente 6 anos antes em Kiev, na atual Ucrânia. Um dado contradiz o outro e fica difícil saber qual deles está correto, sobretudo devido às conspirações de que o governo russo teria reivindicado sua nacionalidade para exaltá-la como uma mártir da nação.

De família real abastada, filha de Daria Konstantinovna Mikhau e Ignatiy Ignatievich Gedroits, ela foi educada em casa durante sua infância, ingressando em uma escola apenas para fazer o equivalente ao Ensino Médio. Foi ainda na mais tenra idade, aos 16 anos, que Gedroits acabou presa pela primeira vez por participar de atividades revolucionárias de uma facção de esquerda. Após ser solta, ela fugiu de casa para Lausanne, na Suíça, onde deu início à sua carreira em medicina na Universidade de Lausanne.

A trajetória de uma heroína

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

Gedroits se destacou também por ter sido uma das poucas mulheres que estudaram medicina no país, entre o final de 1800 e início de 1900, visto que não era comum alunas ingressarem no curso superior naquela época. Com notas quase perfeitas, ela tirou o diploma de doutora em Medicina e Cirurgia.

Em 1901, após trabalhar como estagiária, ela voltou para a Rússia, oficialmente dando início à sua carreira na Fábrica de Cimento Maltsov, no distrito de Zhizdrinsky. Atendendo em sua maioria trabalhadores industriais que sofriam com as insalubres condições de trabalho, Gedroits realizou 248 operações, incluindo amputações e fixação de ossos quebrados, com índice de fatalidade mínimo.

(Fonte: News18/Reprodução)(Fonte: News18/Reprodução)

Ela também causou uma revolução no local por instalar equipamentos muito tecnológicos de fisioterapia e máquinas de raio-X, visando montar uma fábrica hospitalar para atender aquelas pessoas em situação de penúria.

Em 1904, com o estopim da Guerra Russo-Japonesa, um presságio do quão mortal poderia ser um conflito antes que chegasse a miserável Primeira Guerra Mundial, a princesa médica se ofereceu à Cruz Vermelha para o trabalho.

Mudando a História

(Fonte: Terra/Reprodução)(Fonte: Terra/Reprodução)

Em setembro do mesmo ano, Gedroits montou um hospital de campanha em uma pequena vila perto de Mukden, atual Shenyang, na China, onde sua equipe tratou de uma imensa variedade de ferimentos causados pela guerra, muitos envolvendo projéteis de bala e fragmentos.

Os diários resgatados dela com todas as informações que armazenou de suas conclusões médicas foram imprescindíveis principalmente durante a Primeira Guerra Mundial, um dos momentos científicos de maior agrura, principalmente por detalhar o percurso de destruição de muitas armas ao penetrar no corpo humano. Gedroits documentou 700 casos de lesões em membros, dos quais 143 foram no tórax e 61 no abdômen.

Ela deu ênfase nos casos de operações abdominais, muito necessárias durante a Primeira Guerra, e na maneira como os médicos poderiam fazer isso a tempo de socorrer a vítima. Gedroits fez um guia detalhado sobre as laparotomias e suas vantagens, como os anestésicos deveriam ser usados e o tempo de análise de uma ferida abdominal — que deveria ser no máximo de 3 horas.

(Fonte: Pinterest/Reprodução)(Fonte: Pinterest/Reprodução)

No entanto, de acordo com Steven Heys, diretor da escola de medicina da Universidade de Aberdeen, pelo fato de muita coisa não ter sido documentada ou considerada, a medicina perdeu uma grande oportunidade de salvar milhares de vidas entre 1914 e 1919.

Com o fim da guerra, Gedroits até tentou trabalhar na família real russa como cirurgiã do hospital do palácio Tsarskoye Selo, mas não se deu muito bem naquele cenário. Ela enfrentou outra guerra, foi ferida, se tornou poetisa e trabalhou até sua morte, em março de 1932.

Um artigo publicado em 2007 na revista Clinical and Investigative Medicine lamentou o fato de que o mundo parece ter se esquecido de Vera Gedroits, considerando ela "um exemplo clássico de como o conhecimento benéfico pode se perder no tempo".

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