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Santo Arnulfo: a história do padroeiro da cerveja!

Você sabia que em 18 de julho é celebrado dia de Santo Arnulfo, o padroeiro dos cervejeiros? Santo Arnulfo de Metz, ou Arnoldo, se você preferir a outra versão do nome, nasceu em 582, na França. Dedicado, ele teve uma vida política ativa prestando serviços na corte, auxiliando os governantes do período e desempenhando funções importantes, o que o garantiu sua indicação a Bispo no ano de 613.

Em 623, foi nomeado conselheiro. Casado com uma mulher de origem nobre, Arnulfo teve dois filhos. Além de ter tido uma educação que o preparou desde cedo para ocupar posições em diversos ramos do governo, Arnulfo de Metz também tinha uma inclinação à reclusão, o que se manifestou de forma mais proeminente após ter seus serviços dispensados em 629. 

A partir disso, Arnulfo decidiu abandonar o convívio em sociedade para se dedicar à vida espiritual nas montanhas, como um eremita. Se por um lado sua jornada parece ter sido regada a estudo, trabalho e religião, as histórias que circulam sobre ele dão um tempero especial à sua biografia. 

Vitral de Arnulfo de Metz. (Fonte: Wikipédia)Vitral de Arnulfo de Metz. (Fonte: Wikipédia)

Uma história misteriosa

Arnulfo viveu como eremita até 645, quando faleceu. Acredita-se que cerca de um ano após sua morte, os moradores de Metz foram exumar seu corpo para enterrá-lo num novo local que havia sido preparado. Naquele dia, ao fazer um breve repouso durante o percurso para se alimentar, o grupo se deparou com a tristeza de ter uma única garrafa de cerveja para dividir entre eles. 

O que teria acontecido a seguir foi o ponto de partida para tornar a figura de Arnulfo lembrada nos tempos atuais: os moradores seguiram consumindo a bebida e percebendo que ela não acabava, atribuíram o milagre ao então Santo Arnulfo, posteriormente consagrado pela Igreja Católica como Padroeiro dos Cervejeiros.

Tanto a Igreja Católica quanto a Ortodoxa o veneram. Também foi apenas cerca de cem anos após sua morte que ele passou a ser considerado não apenas um ancestral da dinastia Carolíngia, como também nada mais, nada menos, que tetravô de Carlos Magno, o famoso imperador do Sacro Império Romano, acrescentando mistério à sua biografia.

Ilustrações de monges consumindo álcool que podemos ver hoje em rótulos de bebidas já eram presentes em manuscritos da era medieval. (Fonte: Wikimedia)Ilustrações de monges consumindo álcool que podemos ver hoje em rótulos de bebidas já eram presentes em manuscritos da era medieval. (Fonte: Wikimedia)

Não beba água, beba cerveja!

Também circula uma outra história que costuma ser associada ao Santo Arnulfo, mas que, na verdade, é atribuída ao Arnold de Soissons, o santo padroeiro dos colhedores de lúpulo. Este, por sua vez, viveu em outro período e possui origem belga, tendo nascido no ano de 1040.

Não bastasse a semelhança no nome, Arnold de Soissons (também chamado de Arnaldo, ou mesmo Arnulf) também figura como um dos santos cervejeiros, facilitando a confusão entre a biografia de ambos. Para você não se confundir, vamos contar também a história que circula sobre ele:

A lenda diz que, em meio à sua jornada, ao ver a população de um vilarejo adoecer, Arnold de Soissons aconselhou os moradores a beberem cerveja em vez de consumir água, uma vez que ela poderia estar contaminada e ser uma das fontes de doenças.

Hoje tal medida pode parecer simples, mas naquele período ainda não havia conhecimento geral de que o processo de ferver a água para a fabricação da bebida era justamente o que a tornaria própria para consumo, eliminado patógenos que ocasionavam doenças.

Arnold de Soissons viveu entre 1040 e 1087. (Fonte: Wikimedia)Arnold de Soissons viveu entre 1040 e 1087. (Fonte: Wikimedia)

Curiosidade

Outro fato curioso é que, além de ter ganhado fama por garantir uma provisão milagrosa de cerveja após o telhado de uma abadia que produzia a bebida desabar, graças às suas orações, Arnold de Soissons também ficou conhecido por ser um dos responsáveis por promover melhorias no processo de fabricação da bebida feita à base de lúpulo.

Após sua morte em 1087, aos 47 anos, foi canonizado em 1120 pela Igreja Católica, o que definitivamente mostra que consumir álcool com moderação não era algo visto com maus olhos ou como pecado pela instituição, já que tantos milagres possuem algum tipo de relação com esta bebida tão amada!

Acredita-se que naquele período a cerveja tinha menor teor alcoólico, sendo apreciada mesmo de manhã e considerada uma fonte de alimentação saudável. Difundida pelo mundo inteiro, a bebida conta com um processo de produção que ainda hoje guarda os ensinamentos daqueles que se dedicaram a produzi-la no passado.

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