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Como um concurso nos EUA mudou para sempre a genética dos frangos?

Se usássemos uma máquina do tempo e mostrássemos a uma pessoa do século XIX uma galinha moderna, ela provavelmente não acreditaria que esse animal se trata de um frango. A diferença entre a ave moderna e os seus ancestrais recentes é surpreendente.

Essa mudança não ocorreu de forma natural, como uma manifestação da Teoria da Evolução, proposta por Darwin, ainda que a ciência esteja envolvida nisso.

Trata-se do uso da técnica de melhoramento genético, na qual produtores fazem uma extensa pesquisa e cruzam animais com as melhores características para o mercado, gerando bichos completamente diferentes.

Em busca do “frango do amanhã”

Fonte: Reprodução: Universidade Estadual da Carolina do Norte / BBC News Brasil)Fonte: Reprodução: Universidade Estadual da Carolina do Norte / BBC News Brasil)

Em 1946, durante a Segunda Guerra Mundial, os EUA viviam um dilema alimentar. A carne vermelha produzida no país era direcionada para alimentar os soldados e a carne de frango não estava suprindo a demanda, pois a população estadunidense havia crescido.

Por isso, o governo decidiu incentivar o melhoramento genético das aves por meio de um concurso que premiava com US$ 10 mil o produtor que apresentasse o melhor candidato a “frango do amanhã”.

Essa ave teria que ser mais carnuda e com um crescimento mais eficiente, usando melhor os recursos disponíveis, como a alimentação. Assim, começou uma corrida pelo melhoramento genético dos frangos que continua até hoje.

Mais de 4 vezes maior do que o frango do passado

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

O melhoramento genético dos frangos fez com que uma ave abatida hoje fosse mais de 4 vezes maior do que o frango da década de 1960. Em 56 dias, um frango antigo estaria pesando cerca de 905 gramas. Atualmente, uma ave com essa idade pesa 4,2 kg. Isso reduziu em 60% o preço do frango nos EUA, de acordo com a Elsevier, empresa de análise científica.

Além do melhoramento genético, a indústria de alimentos ainda estimula que esse animal consuma mais proteína do que ele comeria na natureza. Isso é feito usando lâmpadas que simulam a luz do Sol. Dessa forma, a galinha continua comendo e dorme menos.

Toda essa engenharia pode levantar dúvidas nos consumidores sobre a segurança de comer essas aves. De acordo com especialistas ouvidos pela BBC, não há riscos.

Animal “irreconhecível”

Um estudo publicado em 2018, na revista Royal Society Open Science, definia a galinha moderna como “um animal irreconhecível”, quando comparada aos seus ancestrais. A galinha é um animal de origem asiática, domesticada há mais de 8 mil anos.

Contudo, a sua profunda transformação só veio a começar depois dos concursos promovidos nos EUA, que incentivaram as mudanças genéticas nesse animal e vários países.

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