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'Coquetel tóxico': os químicos que persistem por anos no corpo humano

A poluição química oficialmente cruzou uma nova fronteira e segue ameaçando não somente os sistemas terrestres, mas o próprio organismo humano. Esses produtos são conhecidos como poluentes orgânicos persistentes — POPs — e são tóxicos que não se degradam com facilidade, podendo levar muitos anos para isso.

Um estudo realizado em março de 2022 por cientistas da Suécia, Reino Unido, Canadá, Dinamarca e Suíça confirmou a existência de microplásticos no sangue humano, em testes realizados em 22 pessoas. Mesmo com resultados que confirmam a existência desses fragmentos em 80% das pessoas, a amostra não foi suficiente para comprovar danos para a saúde humana.

Atualmente, muitos destes POPs são regulamentados pela Convenção de Estocolmo da ONU, tratado global que regula a utilização de produtos químicos tóxicos e que, juntamente com programas como o Safe Planet, buscam combater o impacto ambiental negativo causado por esses produtos.

(Fonte: Andrew Selsky/AP/Reprodução)(Fonte: Andrew Selsky/AP/Reprodução)

Importante pontuar que o programa Safe Planet é uma campanha de conscientização da própria ONU que busca monitorar os níveis gerais de produtos químicos na população do planeta. Desde 2010, essa iniciativa destaca diversos danos causados pela utilização (e por todo o processo de produção) desses produtos por meio de testes realizados em mais de 100.000 pessoas de todos os continentes.

Bert van Bavel esteve na equipe de cientistas que desenvolveram os testes para o Safe Planet e ficou surpreso ao encontrar níveis relativamente altos de diversas substâncias, com destaque para oxiclordano, comumente encontrado em pesticidas, que possui uma meia-vida de cerca de 30 anos, podendo assim ser passado entre gerações.

O oxiclordano, como dito acima, é utilizado para matar insetos e pragas, e se em contato com o organismo humano, pode impactar negativamente o desenvolvimento cerebral e o sistema imunológico.

A importância preventiva da regulamentação

(Fonte: Swiftsciencewriting/Pixabay)(Fonte: Swiftsciencewriting/Pixabay)

Com essas informações em mãos, van Bavel enfatizou a necessidade da regulamentação e até mesmo do fim de diversos tóxicos, antes que estejam mais presentes ainda no organismo humano. A evolução dessas substâncias, se nã controladas, fará com que os novos tóxicos sejam mais duradouros e estejam cada vez mais presentes no ambiente e, onsequentemente, no sangue.

"Estamos todos expostos a esses tipos de produtos químicos. Eles se acumulam em nosso corpo, mas não deveriam estar lá. Seus níveis são aceitáveis do ponto de vista da saúde humana, mas se não tivéssemos nenhuma medida em vigor, os níveis aumentariam e nossa população sofreria efeitos toxicológicos diferentes. Esses produtos químicos precisam ser regulamentados e precisamos de medidas adequadas para controlá-los", declarou Anna Lennquist à BBC.

Toxicologista sênior da ONG ChemSec, organização que busca conscientizar formadores de opinião sobre a eliminação de substâncias tóxicas, Anna também defende uma nova legislação e medidas para o controle dos produtos químicos.

(Fonte: Shutterstock)(Fonte: Shutterstock)

A ChemSec realizou uma série de testes na União Europeia e chegou à conclusão de que 62% dos produtos químicos utilizados na região são perigosos para o meio ambiente e para a saúde humana. Lennquist utiliza essas informações para reforçar a necessidade de que as regulamentações sejam fortes e críticas.

Normalmente, as pessoas não se expõem, no dia a dia, a esses tipos de substâncias individualmente. Nossas atividades, nossa rotina e a forma como os produtos tóxicos são utilizados faz com que, juntamente com o sangue, aconteça um “efeito coquetel” em nosso organismo, o que torna tudo ainda mais complexo. Essa complexidade se dá pelo fato de que muitas misturas de substâncias ainda possuem efeitos desconhecidos, o que pode fazer com que os produtos se potencializem ou combatam um com os outros

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