Onde estão as prisões mais superlotadas da América Latina?

Um confronto entre facções rivais dentro de uma prisão na cidade de Guayaquil, no Equador, deixou 118 mortos e 80 feridos no final de setembro de 2021. Entre as vítimas, todos eram detentos. O número de mortos ultrapassou inclusive o maior massacre já visto em uma penitenciária brasileira, quando 111 pessoas morreram no Carandiru (SP) em 1992.

Problemas como esse evidenciam apenas um dos grandes problemas que as populações carcerárias enfrentam diariamente: a superlotação. No caso do Equador, entretanto, o país não está nem no “Top 10" de países latino-americanos com prisões mais cheias. Então, onde está o ápice da crise?

Cadeias cheias em toda parte

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

A superlotação de prisões é um problema extremamente recorrente em toda a América Latina. Para se ter ideia, somente um país da América do Sul não tem o índice de ocupação das cadeias acima da capacidade: o Suriname, país menos populoso da região e com 75,2% de ocupação penitenciária.

Em segundo lugar nesta lista, aparece o Chile com uma taxa de 100,4% de ocupação. Na América Central, a situação é bem parecida: apenas Belize não tem superlotação, com taxa de apenas 49,8%, enquanto o México, por exemplo, está atualmente com 101,8%.

Exceto por esses países citados anteriormente, a situação é completamente calamitosa. De acordo com o ranking de população carcerária, a maioria dos países latino-americanos não só ultrapassa a ocupação máxima, como a média de ocupação da região chega aos 160%.

Piores países

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Em seis países da América Latina, o cenário é tão caótico que o número de prisioneiros chega a ser duas, três ou até quatro vezes maior que o número de vagas disponível. São eles: dois da América do Sul, dois da América Central e dois do Caribe. Com a pior situação disparado está o Haiti, país mais pobre do continente americano e que atualmente conta com 454,4% de ocupação carcerária.

Em segundo lugar aparece a Guatemala, com seus 367,2% de ocupação, e em seguida surge a Bolívia, com 269,9%. Essas três nações também aparecem entre as 10 piores populações carcerárias do mundo todo. Para completar a tabela dos países da América Latina estão: Granada (233,8%), Peru (223,6%) e Honduras (204,5%).

Nesse mesmo ranking, o Brasil ocupa o 12º lugar e tem 146,8% de taxa de ocupação. Em números gerais, o país tem a terceira maior população carcerária do mundo com 773 mil pessoas presas, de acordo com os dados do governo. Com isso, permaneceria atrás somente de Estados Unidos e Rússia. 

Lidando com o problema

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

E o que deveria ser feito para que os países da América Latina diminuíssem os índices de ocupação? Seria mais fácil construir novos presídios? Para especialistas, essa está longe de ser a solução. Em geral, o maior problema da região está no número de presos e não na falta de cadeias.

Embora os EUA tenham a maior população carcerária tanto em números totais (2 milhões de pessoas) quanto em taxa de presos por grupo de 100 mil habitantes (629 presos por 100 mil habitantes), o país se encontra no mesmo patamar há mais de duas décadas e parece ter controlado sua situação.

Enquanto isso, países da América Latina veem seus números de detentos crescer anualmente e de forma muito rápida. Em entrevista à BBC, Sacha Darke, professor-adjunto em Criminologia da Universidade de Westminster e especialista em sistemas prisionais da América Latina, alegou que um dos maiores problemas da região são as políticas contra as drogas. 

“A maioria das pessoas presas não são grandes traficantes de drogas, mas jovens que fazem a mediação entre quem vende e quem compra”, diz ele. De acordo com Darke, todas as pessoas que vendem drogas na América Latina são chamadas de traficantes e pouco se é feito a respeito da “hierarquia do crime”. Sendo assim, essa política não só seria eficaz, como provocaria efeito contrário.

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