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Como Henry D. Thoreau influenciou Martin Luther King Jr.

Mesmo com pouco reconhecimento durante sua vida, Henry David Thoreau (1817-1862) foi um "divisor de águas" da filosofia moderna, sendo classificado como um ente social que escreveu em defesa da antiguerra e da antiescravidão. Os ensaios dele se tornaram referências nas esferas políticas e sociais, inspirando inúmeros símbolos pelo apoio às resistências passivas, como ocorreu com Martin Luther King Jr.

Lançado em 1849, Desobediência Civil foi a obra mais importante da vida de Thoreau e do público leitor. O livro foi escrito pelo autor enquanto estava na cadeia por não pagar impostos para evitar financiamentos da guerra dos Estados Unidos (EUA) contra o México, sendo um texto de nível profundo que funcionou como um protesto geral contra qualquer forma de injustiça política, tornando-se uma afirmação da obrigação de manifestações não violentas, incentivando os indivíduos a desobedecer qualquer lei considerada injusta. 

(Fonte: Wikipedia / Reprodução)(Fonte: Wikipedia / Reprodução)

Além disso, as ideias transcendentalistas do autor, que apontavam o livre desenvolvimento de emoções como solução para os maiores problemas e a expressão religiosa e intelectual da democracia americana como a mais perfeita forma de expressão divina humana, enfatizaram a autoconfiança, a individualidade e o antimaterialismo, questionando fortemente os pressupostos básicos da maneira como os homens viviam e afirmando que "o melhor governo é o que governa menos".

Apesar de pouco se preocupar com movimentos reformistas organizados, Thoreau teve papel fundamental no apoio às causas abolicionistas. Em 1850, o filósofo entregou o Apelo ao Capitão John Brown e denunciou o governo por sancionar a instituição da escravidão, Lei do Escravo Fugitivo, elogiando a moralidade de uma resistência agressiva contra as propostas desiguais e desumanas aprovadas pelas autoridades.

Inspiração para Martin Luther King Jr.

Quando o jovem Martin Luther King Jr. teve acesso ao livro de Thoreau em meados de 1940, a vida dele mudou completamente. Por meio da leitura de Desobediência Civil, o ativista teve o "primeiro contato com a teoria da resistência não violenta" e chegou a reler o material "várias vezes", encontrando um caminho para lutar a favor da justiça racial e dos direitos civis.

"Fiquei convencido de que a não cooperação com o mal é uma obrigação moral tanto quanto a cooperação com o bem. Nenhuma outra pessoa foi mais eloquente e apaixonada em transmitir essa ideia do que Henry David Thoreau", comentou Martin Luther King. "Os ensinamentos de Thoreau ganharam vida em nosso movimento pelos direitos civis; na verdade, eles estão mais vivos do que nunca", disse Luther King.

(Fonte: Smithsonian Magazine / Reprodução)(Fonte: Smithsonian Magazine / Reprodução)

Coincidentemente, King também passou um tempo encarcerado por contrariar o poder "maligno" das instituições e atuar na liderança de protestos em restaurantes, serviços de transporte público e em vias de tráfego. No total, o pastor batista norte-americano foi preso mais de 30 vezes por delitos justificados por suas manifestações, mas em nenhum momento parou de estimular os cidadãos comuns a se voltarem contra leis abusivas.

"Receio que seja muito longo para tomar seu precioso tempo. Posso assegurar-lhe que teria sido muito mais curto se eu estivesse escrevendo de uma mesa confortável, mas o que mais há para fazer quando você está sozinho há dias na monotonia de uma cela estreita, além de escrever longas cartas, ter pensamentos estranhos e rezar longas orações?", escreveu Luther King em trecho retirado da Carta da Prisão de Birmingham, em 1963.

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