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Stephen Hawking: legado e maiores contribuições para a ciência

Quando o cientista britânico Stephen Hawking morreu em sua residência em Cambridge no dia 14 de março de 2018, seus filhos Lucy, Robert e Tim enviaram uma declaração à imprensa que bem define o pai: “um grande cientista e um homem extraordinário cujo trabalho e legado viverão por muitos anos”.

Curiosamente, o grande cosmólogo e físico faleceu no dia do 139º aniversário do nascimento de Albert Einstein e nasceu 76 anos antes, no dia do 300º aniversário da morte de Galileu Galilei. Há décadas, Hawking convivia com a esclerose lateral amiotrófica, doença que paralisou os músculos do seu corpo, mas que jamais comprometeu suas funções cerebrais. 

Sua obra deixou importante legado para a física teórica, de modo especial para a compreensão das limitações existentes na teoria da Relatividade Geral de Einstein, para a física dos buracos negros e para a cosmologia, estudo da estrutura do universo como um todo, inclusive sua origem e evolução.

Fonte: Flickr/x-ray delta one/Reprodução
Fonte: Capital Pictures/Reprodução

Singularidades

Quando Stephen Hawking se doutorou em Física, aos 24 anos, pela Universidade de Cambridge, a discussão existente girava em torno da onipresença e da realidade das singularidades, os pontos no espaço-tempo onde a Teoria da Relatividade Geral deixava de fazer sentido. O próprio Einstein chegou a duvidar delas.

Hawking debruçou-se sobre o problema com seu colega Roger Penrose e redigiu teoremas para explicar as equações de Einstein: para eles, as singularidades não eram “defeitos” na Relatividade Geral, mas sim consequência natural dela sob determinadas condições.

Uma dessas singularidades, o Big Bang, foi explicada por Stephen Hawking em um programa de TV: “Não há nada ao sul do Polo Sul, então não existia nada por aí antes do Big Bang”. Para ele, a singularidade tem mais a ver com a perspectiva limitada sob a qual observamos os eventos. E concluiu: “A condição de fronteira do Universo… é que não fronteira”.

Buracos negros

Em 1974, Hawking teorizou sobre os buracos negros, os supostos campos gravitacionais impossíveis de se escapar. Ele disse na época que os buracos negros emitiam radiação térmica (eram “quentes”). Mas, à medida que fazem isso, perdem energia e massa, tornando-se menores até “evaporar”, destruindo toda informação física dos objetos que neles caíssem.

Essa compreensão vigorou até 2004, quando o cientista mudou de ideia e disse que a informação poderia sobreviver. No fim de agosto de 2015, ele propôs “que a informação não é armazenada no interior do buraco negro, como é de se esperar, mas sim em seu limite, o horizonte de eventos”.

Segundo Stephen Hawking, quando é sugada pelo buraco negro, a informação passa por um processo de “tradução”, criando um holograma da informação, que foge através do horizonte de eventos. “Os buracos negros não são tão negros como os fizemos parecer. Eles não são as prisões eternas que já foram considerados uma vez”, concluiu o cosmólogo.

Inteligência artificial, viagens espaciais e o futuro da humanidade

Fonte: NASA/Divulgação
Fonte: NASA/Divulgação

Stephen Hawking mostrava-se cauteloso a respeito dos avanços no domínio da inteligência artificial, classificando-a de potencialmente perigosa para a civilização humana, pois, a despeito dos potenciais benefícios, as máquinas avançariam por conta própria e se reprojetariam, ao passo que “os humanos, limitados pela evolução biológica, não conseguiriam competir e seriam desbancados”.

Sobre a exploração espacial, Hawking a encarava como uma forma de preservar a humanidade dos riscos de destruição por guerras nucleares ou vírus. Em uma entrevista à BBC, o físico disse que “tentar se espalhar por aí talvez seja a única estratégia que pode nos salvar de nós mesmos”.

Ao convocar os países a enviar astronautas à Lua e a Marte, Stephen Hawking afirmava que essa é a única solução para a humanidade continuar vivendo por mais alguns milhões de anos. Para ele, “nosso futuro residirá na ousadia de ir onde ninguém mais ousou ir”. Além disso, “nós não temos outra opção”, concluiu.

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