A origem de 6 clichês da literatura universal

A literatura pode ser bela, mas também pode ser cansativa, especialmente quando recorre a lugares comuns, frases clichês ou a tramas preguiçosas. Quase todo mundo já leu alguma obra literária que sentiu ser uma repetição de frases de efeito, semelhante à várias outras, com a trama pouco inventiva e que tivesse defeitos ao ponto de abandonar a leitura.

Não desejamos isto a ninguém, mas apresentamos uma lista com a origem de 6 frases clichês da literatura universal que, certamente, a maioria conhece.

1. “E viveram felizes para sempre”

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

“E viveram felizes para sempre” e “e foram felizes para sempre”, além de suas variações, são marcas registradas da literatura — e dos clichês literários. Seu significado é óbvio, a felicidade eterna a partir daquele instante. O desejo desse fim não saiu de moda, ao contrário da frase, que hoje é vista como piegas e infantil.

O responsável por popularizá-la foi a tradução para o inglês de O Decamerão do poeta italiano Giovanni Boccaccio (1313-1375). Se entendida como sinônimo de amor e felicidade sem fim, ela não foi uma expressão que surgiu com tal significado, já que, originalmente, fazia referência ao céu, ou seja, desfrutar a eternidade.

2. “Mal eles sabiam”

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Seja dito pelo protagonista, seja proferido pelo narrador para o leitor, esta frase clichê da literatura universal indica que algo está prestes a acontecer. De uso recorrente, em especial nos romances góticos ingleses do século XIX como estratégia para revelar alguns detalhes improváveis da trama, essa frase passou a atuar como um anticlímax, ou seja, quebrava a tensão ao entregar que o leitor deveria se preparar para algo importante.

A primeira obra a utilizá-la ainda é incerta, mas você a encontra desde livros de Ellen Wood (1814-1877) e Ann Marsh-Caldwell (1791-1874), no início da segunda metade do século XIX, até em Arthur Conan Doyle (1859-1930), já próximo ao século XX.

3. “Para piorar a situação” 

(Fonte: Unsplash) (Fonte: Unsplash) 

Nada está tão ruim que não possa piorar, correto? Na literatura há uma frase clichê que leva isso ao pé da letra: “para piorar a situação” tem uma origem bem antiga, creditada a duas pessoas, já que pesquisadores apontam as fábulas contadas por Esopo, escritor da época da Grécia Antiga, e o escritor romano Fedro.

Na literatura, foi entrar para a biblioteca de clichês literários em meados do século XVIII, utilizada tanto como recurso para adicionar escárnio à situação, como uma espécie de abertura para incluir a “moral da história”.

4. “Era uma noite escura e chuvosa”

(Fonte: Unsplash(Fonte: Unsplash)

Noites muito escuras e de chuvas tempestuosas parecem o início de um enredo de filme de terror bem clichê, mas antes disso foi um clichê literário com origem no romance policial Paul Clifford, do inglês Edward Bulwer-Lytton(1803-1873), publicado em 1830. Mais precisamente a frase “Era uma noite escura e chuvosa”.

Hoje, tanto na literatura quanto no cinema de horror, esta é considerada uma frase clichê, a ponto de ter inspirado a criação do Concurso de Ficção Bulwer-Lytton, realizado pelo Departamento de Inglês da San Jose State University, na Califórnia, em que os competidores são instigados a criar a pior frase possível para iniciar um romance. Na cultura popular, Snoopy ficou marcado por estar em sua máquina de datilografar digitando a frase em muitas de suas historinhas.

5. “Para ser honesto”

(Fonte: Reprodução(Fonte: Reprodução)

Charles Dickens (1812-1870) foi um dos principais romancistas ingleses da era vitoriana e responsável por criar muitas frases e termos popularizados na literatura universal. Uma de suas obras, A Casa Soturna, tem um personagem que pronunciava “para ser honesto” de maneira recorrente que até acabou entrando no vocabulário popular.

“Para ser honesto” passou de uma frase que representava o personagem Sr. Snagsby, para um clichê da literatura universal evitado sempre que possível. 

6. “Era uma vez”

(Fonte: Soul Traveler/Reprodução)(Fonte: Soul Traveler/Reprodução)

Essa é certamente a frase mais clichê da literatura universal, mas também a mais icônica e, consequentemente, a mais famosa. Você deve se recordar de muitos contos de fada da Disney que iniciam desta forma, mas sua origem remonta ao século XIV e às canções de gesta da literatura medieval, escritas em francês antigo, da época conhecida como Ciclo Carolíngio.

Estas histórias narravam as aventuras de Carlos Magno, Rei dos Lombardos e Rei dos Francos, e d'Os Doze Pares da França. Dali em diante, “Era uma vez” fez parte do início de muitas narrativas orais e escritas elaboradas desde 1600. Pode até ser uma frase clichê da literatura universal, mas imaginamos que em algum canto ela guarde uma memória afetiva em você, caro leitor.

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