Mileva Einstein: a mulher que ajudou na teoria da relatividade

O relacionamento de Albert Einstein e sua primeira esposa Mileva nem sempre foi o mais saudável de todos. Ao término do casal, a família do cientista a descrevia como “uma velha bruxa” e “intelectual demais”. Porém, antes da separação dos dois ocorrer em 1916, o casal dividiu o amor pela ciência por alguns bons anos.

Os dois chegaram a ser alunos do Instituto Politécnico de Zurique, uma das poucas universidades da Europa que admitiam mulheres à época. O que muitas pessoas não sabem, porém, é a importante participação que Mileva teve na carreira de Albert, sendo inclusive uma colaboradora da teoria da relatividade

Parceria e falta de reconhecimento

(Fonte: Wikimedia Commons)(Fonte: Wikimedia Commons)

As qualificações universitárias de Mileva sempre apontavam seu grande amor pela física e como ela era uma cientista de altíssimo nível. Na maior parte do tempo, suas notas eram superiores as de Albert. Mesmo assim, isso não foi suficiente para que passasse nas provas finais do curso.

Segundo as biografias sobre o casal, o período de estudante foi quando os dois teriam desenvolvido uma importante colaboração profissional, pelas quais ela acabou recebendo quase nenhum reconhecimento. Além disso, a história conta que a criação dos filhos fez com que ela se separasse do primeiro escalão da ciência.

Segundo as cartas obtidas sobre os dois, Mileva engravidou por volta de 1900 — quando eles ainda não estavam casados. Apesar de não existirem registros sobre a primeira filha do casal, acredita-se que ela acabou morrendo de uma doença infecciosa chamada de escarlatina. 

Cartas secretas

(Fonte: Unsplash)(Fonte: Unsplash)

Ao todo 43 cartas obtidas do relacionamento entre Albert Einstein e Mileva citam “nossos trabalhos” e “nossa teoria do movimento relativo”, demonstrando que ela sempre foi reconhecida pelo seu marido como uma grande cientista, apesar de nunca ter ganhado a mesma fama histórica.

Essas cartas eram escritas principalmente nos períodos de férias escolares, quando os dois passavam a maior parte do tempo longes um do outro. Além disso, existem outros relatos históricos que apontam a colaboração entre os dois. Um grande exemplo disso é uma fala de seu filho Hans Albert, que chegou a dizer se lembrar dos dois trabalhando juntos na cozinha.

Os textos datam para 1905, quando Albert publicou os trabalhos mais importantes da sua carreira na revista Annalen der Physik, a qual reuniu quatro artigos que simplesmente mudaram a compreensão das leis da física para sempre.

Acordo de separação

(Fonte: Pixabay)(Fonte: Pixabay)

Quando o divórcio entre Albert e Mileva aconteceu, os dois fizeram um acordo para que ela recebesse a premiação em dinheiro caso ele fosse consagrado vencedor do Prêmio Nobel — o que veio a acontecer em 1921, quando os dois já não estavam juntos fazia dois anos, e ele tinha se casado outra vez.

Ao escrever seu testamento, Albert Einstein deixou todo o dinheiro do prêmio para os filhos. Enfurecida, Mileva ameaçou contar sua participação nas pesquisas, mas foi aconselhada pelo cientista a ficar calada e administrar o montante recebido para cuidar das crianças.

Após o divórcio, a vida de Mileva não foi exatamente a mais fácil de todas. Em 1930, seu filho Eduard, que era estudante de medicina, foi diagnosticado com esquizofrenia e todo o dinheiro que ela tinha acabou sendo dedicado ao tratamento do rapaz. Com o aumento das despesas do processo, a cientista precisou vender duas das três casas que ela e Albert Einstein compraram juntos durante o casamento.

Ao longo desses anos, o físico fez algumas contribuições regulares para os cuidados do filho. Mileva morreu em 1948, aos 72 anos, sem ter metade do reconhecimento que teve o ex-marido e de causas desconhecidas.

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