Heróis europeus resgatavam obras de arte roubadas por nazistas

Heróis europeus resgatavam obras de arte roubadas por nazistas

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Tradicionalmente, os feitos mais relatados em guerra destacam iniciativas de heróis nacionais que arriscaram suas vidas no campo de batalha ou narram trágicas histórias de vítimas que sofreram com todas as implicações presentes nos conflitos. É pouco comum encontrar casos que destoam de tais tramas bélicas, porém, com o amplo envolvimento social e participação coletiva de diversos grupos durante os eventos, alguns indivíduos também têm participação determinante nos confrontos.

Um dos casos mais conhecidos é a história dos "Monuments Men" ("Homens dos Monumentos", em tradução livre), unidades extramilitares formadas por especialistas em artes, que formavam equipes para resgatar patrimônio cultural roubado por nazistas durante a Segunda Guerra Mundial. Formadas por cerca de 345 peritos que agiram entre 1943 a 1945, mais de 5 milhões de itens artísticos foram dados como recuperados pelos membros das unidades.

Muito além das armas

Valiosas, as obras de arte passaram a ser itens desejados por membros do Reich durante os principais conflitos da Segunda Guerra Mundial. Durante o bombardeio, museus e galerias eram completamente destruídas e boa parte do seu acervo, quando não era exterminada, ficava abandonada entre os escombros, chamando a atenção dos nazistas e os fazendo saquear os estabelecimentos, muitos deles inspirados pela inclinação artística de seu grande líder, Adolf Hitler.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Os furtos resultaram, então, na formação de um comitê especializado em adquirir patrimônio cultural de terras invadidas pela ascensão alemã, o Einsatzstab Reichsleiter Rosenberg (ERR), que se estabeleceu na Galerie Nationale du Jeu de Paume, em Paris, onde todos os tesouros passaram a ser guardados e protegidos pelos soldados do Reich.

Com artefatos de Rembrandt, Picasso, Matisse, Johannes Vermeer, Van Gogh e Michelangelo, o local logo chamou a atenção de Hitler, que enviava frequentemente seu braço direito, Hermann Göring, para comprar algumas das peças que estavam lá. Porém, o crescimento do grupo alemão não chamou somente a atenção de seu líder, mas também de um time de oposição da Europa, que logo se juntaria para evitar que mais saques fossem realizados.

A Seção de Monumentos, Belas-Artes e Arquivos

Composta por homens e mulheres dos Estados Unidos e de vários países europeu, a Seção de Monumentos, Belas-Artes e Arquivos, das Forças Expedicionárias Aliadas, se reuniu para evitar que os alemães tomassem posse de vez da cultura de seu povo. Agora sob o símbolo dos Monuments Men, proteger a arte do mundo para documentá-las e evitar que os nazistas a roubassem tornou sua principal meta e, não importava como, eles dariam suas vidas para isso.

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Liderados por George Stout e em sua grande maioria com formação artística e com pouca experiência em batalha, o grupo não hesitou em se infiltrar em combates e no exército alemão, resultando em alguns sacrifícios em detrimento a uma total contravenção do sistema, onde as unidades autônomas arriscavam-se por vontade própria.

“Não tínhamos caminhões, nem jipes. Nada além de nossos sapatos. E nenhum apoio de qualquer espécie por parte da autoridade", disse Charles Parkhurst, vice-líder dos Monuments Men. "Havia muita arte alemã escondida onde eles pensavam que seria seguro durante os combates ... E era nosso dever procurar, encontrar e salvar".

(Fonte: Getty Images/Reprodução)(Fonte: Getty Images/Reprodução)

Com a localização de diversos depósitos e armazéns onde grande parte das obras eram armazenadas por nazistas, o empenho dos grupos de peritos opositores resultou em um resgate heroico, inclusive evitando que a Mona Lisa também fosse tomada por soldados alemães, quando, logo após o decreto do fim da Cortina de Ferro, muro simbólico que dividiu a Europa em duas áreas de influência política no início da década de 60, boa parte do acervo foi devolvido para curadores e instituições responsáveis.

A estratégia como alternativa

Sem perícia militar, com quase a totalidade dos membros relacionados a movimentos artísticos, sejam como artistas ou especialistas da área, os opositores às tropas alemãs tiveram que se desdobrar para conseguir driblar as inúmeras dificuldades enfrentadas durante o conflito armado. 

Através de termos e expressões internas, desenvolvidas estrategicamente para a comunicação, e do amplo conhecimento cultural que fazia parte do grupo, o trabalho de infiltração e de deslocamento entre países tornou-se menos complicado, resultando em um trabalho realizado em larga escala e capaz de cobrir praticamente todos os principais países que estavam servindo de domínio do Reich.

Da história para o cinema

Relatada em um longa produzido por George Clooney, Bill Murray e Cate Blanchett, em 2014, e inspirada no livro The Monuments Men: Allied Heroes, Nazi Thieves, and the Greatest Hunt in History, publicado por Robert M. Edsel, a história dos Monument Men passou a ser amplamente conhecida pelo público, mostrando sua relevância para a manutenção da arte européia e para a construção do rico acervo tão conhecido atualmente.

(Fonte: Just Watch/Reprodução)(Fonte: Just Watch/Reprodução)

"E se nós vencermos a guerra e perdermos os últimos 500 anos da nossa história cultural?", foi a frase dita pelo líder George Stout, servindo de emblema para o time e motivando o trabalho essencial e a responsabilidade cultural que tinham em suas mãos.

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