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As concepções elisabetanas sobre o funcionamento da mente

O período elisabetano compreende o reinado da rainha Elizabeth I na Inglaterra, entre 1588 e 1603. Foi uma época muito importante na história da Grã-Bretanha, em que as artes foram muitos valorizadas (não por acaso, foi nesta era que viveu Shakespeare) e houve um crescente interesse pelos métodos científicos.

A compreensão da mente também era bastante priorizada pelos elisabetanos, mas as suas visões sobre o eu interior de cada um eram um tanto complexas. Esta é a tese do livro The Elizabethan Mind: Searching for the Self in an Age of Uncertainty, da historiadora Helen Hackett: de que os intelectuais dessa época criaram uma visão peculiar sobre a mente, a alma e o eu que acabou influenciando muita gente depois disso.

As explicações para as inquietações mentais

(Fonte: Pocketmags)(Fonte: Pocketmags)

Os elisabetanos tinham teorias sobre por que as pessoas tinham certas condições mentais. Os sofrimentos poderiam ser causados por humores "rebeldes" - fluidos corporais que determinavam o espírito e o caráter de alguém. Mas havia também fatores externos, como a astrologia.

A verdade é que os intelectuais elisabetanos estavam interessados em entender o que se passava no seu "eu interior". Alguns autores da época, inclusive, produziram livros sobre o tema, como The Anatomy of the Mind, de Thomas Rogers, de 1576, e The Passions of the Mind, de Thomas Wright, de 1601.

O interessante é que eles estavam unindo conhecimentos tradicionais com novas descobertas científicas. A concepção dos elisabetanos sobre o cérebro é um exemplo disso: eles imaginavam que este órgão estava dividido em três câmaras, com a Imaginação na frente, a Razão no meio e a Memória bem atrás.

Além disso, eles traziam explicações supostamente científicas para explicar as diferenças entre os gêneros. As pessoas na era elisabetana acreditavam que, em geral, as mulheres eram constituídas por um humor frio e úmido - o que era bom para a fertilidade, mas ruim para o intelecto.

E veja só: como havia esta ideia de que a temperatura e a umidade impactava os humores, acreditava-se que a localidade geográfica também influenciava as pessoas. Os africanos, por exemplo, teria um humor melancólico, mas um intelecto afiado, por conta do clima muito quente do seu continente.

A ênfase na razão

(Fonte: University of Delaware)(Fonte: University of Delaware)

Os elisabetanos pensavam muito sobre os potenciais da mente e como ela poderia ser engolida pelas paixões. Por isso, davam muito valor à razão. Os livros médicos da época recomendavam formas para controlar a raiva e até a imaginação, que era vista como uma possível força desestabilizadora do sujeito.

Na verdade, eles seguiam um preceito da Bíblia que diz que a "imaginação do coração do homem é má, mesmo em sua juventude". Por conta disso, pensavam que os devaneios da mente poderiam atingir o corpo. Uma mulher grávida, por exemplo, deveria monitorar seus pensamentos, pois eles poderiam prejudicar o bebê.

As mulheres, é claro, eram vistas como as mais suscetíveis, justamente porque sua razão era fraca. Um livro de 1584, chamado The Discovery of Witchcraft, descrevia as temidas bruxas apenas como "mulheres melancólicas" que sofriam fantasias sobre terem poderes mágicos - influenciadas, provavelmente, por terem entrado na menopausa.

O diabo também era culpado muitas vezes pela instabilidade mental das pessoas. Mas havia também uma explicação científica: os possuídos pelo demônio eram as pessoas tinham mais bile negra (a substância que causava a melancolia) dentro do corpo. Ainda assim, havia os mais céticos que acreditavam que alguns doentes fingiam ter a tal possessão demoníaca.

Os elisabetanos, portanto, tinham forte interesse em explicar os mistérios da mente e do espírito. E mesmo que muitas de suas ideias fossem baseadas em crendices, ainda assim elas tiveram forte participação sobre os rumos do que viríamos a descobrir sobre estes assuntos.

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